por Judith Butler
Traducción de Joao Luc: http://joaoluc.blogspot.com/2008/11/pens...
Poucos de nós estão imunes à festividade destes dias. Os meus amigos de esquerda, escrevem-me dizendo que sentem algo parecido com uma “redenção” ou que “o país nos foi devolvido” ou ainda que “temos um dos nossos na Casa Branca”. É claro que ao longo do dia sinto-me, tal como eles, tomada pela surpresa e a excitação, já que a ideia de ver o regime de George W. Bush pelas costas é um alívio enorme. E a ideia de que Obama, um candidato negro progressista e com consideração pelos outros, muda a história e faz-nos sentir de que forma os cataclismos produzem novos terrenos. Mas pensemos atentamente neste novo terreno, mesmo que não conheçamos neste momento todos os seus contornos. A eleição de Barack Obama ainda que não possa ser hoje completamente apreciada, é historicamente significativa, mas não é, nem pode ser uma redenção e, se subscrevermos a forma superior de identificação que ele nos propõe (“estamos todos unidos”) ou que nós propomos (“ele é um de nós”), arriscamo-nos a acreditar que este momento politico vencerá os antagonismos que são os constituintes da vida política, especialmente da actual vida política. Sempre houve bons motivos para não abraçar o ideal da “unidade nacional” e para fomentar suspeições face a uma identificação uniforme e absoluta para com um líder político. Apesar de tudo, o fascismo baseava-se em parte nessa identificação com o líder e, os republicanos usaram este expediente para conseguirem mobilizar politicamente os afectos quando, por exemplo, Elizabeth Dole, olha para a sua audiência e diz: “Adoro cada um de vocês.”
Torna-se ainda mais importante pensar na identificação política exuberante com a eleição de Obama quando consideramos que o apoio a Obama coincidiu com o apoio a causas conservadoras. De certa forma isto conta para o seu sucesso “transversal”. Na Califórnia, ganhou com Continue reading 'Exuberância acrítica?'






